Vespa World Days 2010

Três mil ‘doidos’ por vespas reunidos em Fátima
Vieram de todo o mundo para comemorar  a mesma paixão: a moto e a liberdade que lhes dá

Erich Poshinger, de 69 anos, percorreu de moto os 2560 quilómetros entre a sua casa em Frankfurt, na Alemanha, e Fátima. Não foi a fé que levou o reformado alemão a suportar uma longa viagem de cinco dias até Portugal. Foi a paixão pelas vespas, a mesma que traz outros 3000 fãs destas motos a participar no encontro mundial de vespistas, Vespa World Days, a decorrer em Fátima até domingo.
A mulher de Erich, que preferiu fazer a viagem de avião para Portugal, só tem uma expressão para justificar a travessia do marido pela Europa: “É doido.” Erich, membro do Vespa Clube de Frankfurt, viaja numa Bevery 500, mais adequada aos seus 120 quilos. Está hospedado num hotel da Nazaré e aproveita o tempo para passear pela região. Segunda-feira, a mulher regressa à Alemanha para trabalhar, mas Erich vai continuar a viagem até Sevilha para visitar os amigos. “Sou livre e a minha Vespa dá-me liberdade”, disse Erich ao DN. Desde que se reformou, este antigo empregado de escritório não perde um encontro mundial de vespistas; foi a Torino, San Marino, Áustria, e agora planeia ir a Oslo em 2011 e a Londres em 2012.

Marco Manzoli, de 36 anos, secretário do Vespa World Club, veio de Piza, na sua Vespa 250cc Vintage. Fez os mil quilómetros em três dias. “Vim para trabalhar e não para fazer turismo como este pessoal”, comenta o responsável pelo Vespa World Club, que reúne 36 clubes nacionais da Europa, Américas e Ásia. “A que se deve esta paixão pela Vespa? Para mim é a liberdade, mas está para além do racional, tal como não se consegue explicar por que se gosta de uma miúda”, afirmou Marco Manzoli.
“Isto é muito diferente de um encontro de motards, nós não passamos os dias a beber cerveja e a acelerar as motos; a Vespa tem uma cultura muito própria, em torno da família, do encontro dos amigos e da descoberta dos países e do turismo”, afirmou ao DN Marco Manzoli.

Tom Stubbe, de 37 anos, veio com a mulher da Bélgica, e trouxe os dois cães e duas das suas vespas antigas, uma de 1966 e outra de 1970. “Viemos porque somos loucos”, afirmam bem-humorados. “Somos doidos por Vespas clássicas e gostamos de estar com os amigos e conhecer outros países”, disse Tom Stubbe.

In Diário de Noticias de 02 Julho 2010